Água mineral possui, sim, fiscalização e controle de qualidade
Gostaria de comentar a reportagem publicada pela Folha de Londrina na sua última edição de domingo (21/10/2007) [Precisa de cadastro] que trata de poluição de água em poços tubulares profundos (e não artesiano) e da ausência de fiscalização dos galões de água mineral. Como assinante e como técnico envolvido com o tema, já que sou geólogo, consultor em mineração e meio ambiente, inclusive para indústrias de água mineral, identifiquei várias informações erradas, sem critérios técnicos e científicos e para não dizer, perigosas e irresponsáveis. Como um tema tão importante e de repercussões tão evidentes, este jornal teria obrigação de trazer outras opiniões - de geólogos, de empresas de perfuração de poços, de mineradoras de água. Quem leu a reportagem sai com a sensação que as águas de galões não são confiáveis, que as águas de poços de Londrina estão contaminadas, principalmente próximas de cemitérios, que é melhor consumir a água da Sanepar e que os síndicos serão responsabilizados por qualquer problema pela ingestão da água contaminada.
Gostaria de ressaltar que a afirmativa de que as águas de galões não são fiscalizadas é inverídica. O DNPM - Departamento Nacional de Produção Mineral estabelece em seu parágrafo Único do Artigo 27o do Código de Águas Minerais - Decreto Lei no 7841/1945 que em relação às qualidades higiênicas das fontes serão exigidos, no mínimo, quatro exames bacteriológicos por ano, um a cada trimestre, podendo, entretanto, a repartição fiscalizadora exigir as análises bacteriológicas que julgar necessárias para garantir a pureza da água da fonte e da água engarrafada ou embalada em plástico. Neste exame estão contemplados todos os parâmetros microbiológicos dispostos na Resolução ANVISA RDC nº 275/2005. A ANVISA também determinou com foco nos requisitos da Resolução da ANVISA RDC nº 173/2006 e Portaria nº 222 do DNPM que os funcionários das empresas produtoras passem periodicamente por cursos de capacitação, conscientização e preparação dos manipuladores e responsáveis pelo processamento industrial e empresário, quanto à importância da melhoria do processo produtivo de Águas Minerais e Águas Naturais (Potáveis de Mesa), visando à proteção da saúde pública, abordando temas como higiene pessoal, manipulação higiênica dos alimentos e doenças transmitidas por alimentos. Vale lembrar, que as empresas do setor são obrigadas a manter químico e geólogo no seu quadro técnico.
Portanto, a imprensa tem que zelar pela qualidade da informação que publica, disponibilizando ao leitor dados qualificados e que não ponha em dúvida sua credibilidade.
Cleuber Moraes
Geólogo CREA 26.007-D


Dezembro 8th, 2007 às 16:34
Vim para deixar meu comentário sobre o assunto que há muito tempo vem se tornando muito importante aos consumidores.
Vi o comentário de Cleuber Moraes (Geólogo) e entendo sua participação quanto ao assunto, o qual resultou em polêmica.
Muito bom saber que a comercialização de “água mineral” é fiscalizada com rigidêz (segundo ele). Bom saber que os consumidores podem ter garantia quanto à fiscalização deste produto.
Porém, como especialista em Tratamento de Água, eu quero salientar alguns pontos que são bastante delicados. A embalagem em que a “água mineral” é posta para a comercialização, sendo de plástico PVC (material poroso), pode sim comprometer a qualidade da água vendida e acarretar riscos à saúde com relação à diversas contaminações. Algumas empresas, fiscalizadas, até foram interdidatas e outras proibidas a venderem “água mineral” em galões de plástico PVC.
Uma referência comum e caseira pode explicar, popularmente, um dos fatos que acontece para chegarmos à conclusão de que muitos galões são de responsabilidades das empresas: Em casa, se pegarmos uma garrafa de plástico (aquelas que usamos na geladeira), enchermos de água e fecharmos colocando-a na geladeira juntamente com um cupuaçú (por exemplo) ao lado por uma madrugada…vemos que no outro dia, podemos até sentir o gosto da fruta na água desta garrafa. Mas como explicar este fato se a garrafa ficou fechada? É aí que está a questão!
Acontece isso também geralmente com o galão de “água mineral”. Como é um material poroso (isto é, possuidor de microporos) o galão tem condições suficientes para reter e permitir com que agentes químicos com outros agentes contaminantes (como bactérias, fungos, protozoários, algas, etc) penetrem na água, contaminando-a e podendo assim, causar doenças aos consumidores.
Podemos também falar desta água engarrafada exposta a luz solar. Todos nós sabemos que o ser vivo faz a fotossíntese. Em outubro de 2007 foi realizada uma pesquisa em Natal sobre o assunto, o qual também causou polêmica. Procurada para esclarecer o caso, a Superintendência de Vigilância Sanitária do Estado(Suvisa) explicou que a água mineral realiza fotossíntese quando exposta de forma intensa ao calor, o que provoca o aparecimento de algas. “A água é um organismo vivo e quando fica muito tempo no sol e armazenado em ambiente de alta temperatura, ela faz fotossíntese. Por Lei, esses produtos só podem ser armazenados em locais limpos, secos, bem ventilados, longe do sol e de produtos químicos. Também não podem ser comercializadas em locais como lojas de material de construção e postos de combustíveis, a não ser que estejam dentro da loja de conveniência”, explicou Célia Faria, técnica do Setor de Alimentos da Suvisa.
Portanto, é certo dizer que, mesmo com fiscalizações quanto à qualidade de “água mineral” vendida em galões de plástico PVC, é impossível a garantia de segurança no consumo deste produto. A água pode até ser de boa qualidade em sua fonte de tratamento, porém, quando armazenada em embalagens inadequadas pode perder sua qualidade em até 90%. Eu, por exemplo, não confio nem 10% nesta água!
Anerson Cruz - Especialista em Tratamento de Água.
Novembro 3rd, 2008 às 11:15
Achei os comentários muito bons, mas infelizmente o controle da água mineral seria melhor se fosse por batelada (por lote). Mesmo assim existem muitos contaminantes que podem estar na água e que não são analisados e nem se conhece os seus efeitos para a saúde a médio e longo prazo.
Sou engenheiro, especialista em água potável, membro da Water Quality Association e estou escrevendo uma tese de mestrado sobre qualidade da água potável.
Estou disponivel para proferir palestras sobre o assunto. Faça um contato.