Em tempos de Rio+20, vamos refletir sobre o consumo?

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Cada vez mais nos preocupamos com a crise ambiental que paira sobre as nossas cabeças e nos leva a questionar sobre os modos de produção e os modos de desenvolvimento da sociedade capitalista. E talvez você concorde que a sustentabilidade, que representa a melhor solução dos problemas para alguns, está longe de ser um conceito totalmente aceito. Ao contrário, para algumas pessoas, a sustentabilidade parece ser um conceito utópico e sofismático. Sem nos aprofundar muito nessa questão, podemos ver a complexidade do momento em que vivemos, onde a sociedade parece se dividir entre os que acreditam na sustentabilidade, e os que entendem que os modos de desenvolvimento atuais são insustentáveis por definição.

No meio dessa discussão inevitável, o consumo ganha força, mas de forma difusa. Em 2010, nós já havíamos apontado alguns indícios dessa centralidade do consumo , observável, por exemplo, na criação de ONGs orientadas para o consumo verde, para o consumo responsável, o consumo ético, o consumo sustentável ou consumo consciente e, também, nas diversas reportagens publicadas pelos veículos de comunicação de massa que tentam explicar o consumo sustentável ou responsável, disseminando iniciativas com esse fim.

Mas se por um lado é louvável e necessário propor novos modelos de consumo, também é importante avançar nas reflexões sobre o consumo nos dias atuais. Algumas posições cristalizadas na tentativa de doutrinar ou moralizar o consumo podem ser inúteis, sem agregar qualquer valor para o debate em curso.

Um certo distanciamento para que se possa elaborar análises mais sérias sobre o consumo pode ajudar a sair das abordagens maniqueístas que em alguns momentos colocam a “culpa” dos problemas de ordem ambiental na esfera produtiva (e o consumo parece não existir), ou das abordagens que colocam toda a “culpa” moral no consumo, e o consumidor passa a ser o legítimo representante de uma sociedade individualista e despolitizada.

O que propomos é uma pausa nas tentativas de estabelecer “verdades categóricas” baseadas em críticas morais e ideológicas sobre o consumo e o consumidor. A associação entre consumo e alienação social, além de extremamente reducionista, pode ser problemática pois perde-se toda uma perspectiva que insere o consumo em um sistema de valores e o coloca em associação direta com o trabalho e com o sistema produtivo. O consumo é muito mais complexo e dinâmico do que um deslize moral do indivíduo ou um pecado cometido pelo consumidor desavisado. A mulher que usa maquiagem e salto alto, o homem que bebe sua cerveja ou vinho com enorme prazer e o casal que escolhe um sofá confortável para a casa, nem sempre orientam suas escolhas de consumo apenas pela inveja que querem provocar nas pessoas ou porque são egoístas destituídos de associações coletivas.

Pelo contrário. Podemos pensar no consumo como arena em que interações se realizam, e que problematiza as tensões de ordem social, às vezes vistas de maneira individualizada. No consumo podemos enxergar encontros e experiências, as estratégias de vida que demonstram o aprendizado cultural em diversas searas como no comer, no trato com os outros, nos estilos de vida, na arte, etc. Consumir é, entre outras coisas, uma forma de produzir identidade, e assim, entendemos porque o consumo é paradoxal, virtuoso quando se percebe caminho cultural, e moralmente discutível quando revela desigualdades.

Por meio do consumo nós construímos conhecimento que a todo momento se modifica, se rompe e se renova, e interfere no sistema produtivo e na cadeia dinâmica de troca de mercadorias. Condenar o consumo como se todas as práticas fossem homogêneas é optar por colocar sob o tapete uma realidade desigual de acesso aos bens, de uso e dos objetivos de utilização e consumo. Condenar o consumo é condenar a rotina humana que, entre tantas outras funções, é recurso objetivo e subjetivo que reproduz ou promove mudanças nas vidas dos indivíduos. Portanto, antes de julgar o consumo de maneira substantiva como algo capaz de ser anulado na sociedade contemporânea, talvez valha a pena considerar um detalhe fundamental: o consumo está imbricado parcial ou totalmente em todas as práticas humanas da vida ordinária, em todos os usos, e está para além das relações de mercado ou organização econômica.

Se você se interessou em pensar um pouco mais sobre o consumo, convido-o a participar do VI ENEC , que abordará o tema “VIDA SUSTENTÁVEL: PRÁTICAS COTIDIANAS DE CONSUMO” e que ocorre em paralelo com o 2ª do Encontro Luso-Brasileiro de Estudos do Consumo, para discutir o tema da sustentabilidade socioambiental que tornou-se central nas sociedades contemporâneas.

Vida sustentável (sustainable living) está na ordem do dia e é o conceito que sintetiza esta relação entre práticas de consumo cotidianas e sustentabilidade. Tal conceito inclusive nos obriga a recolocar em questão as próprias relações entre consumo e produção pois a tarefa de redefinir e mudar práticas sociais é mais complexa do que campanhas e políticas públicas podem nos levar a crer. Práticas constituem-se em discursos e fazeres que se desenvolvem, se associam e se desmembram em novas práticas, cada uma implicando em novas formas de consumo.

O VI ENEC contará com conferências de renomados pesquisadores do Brasil e do exterior, entre eles o PROF. GERT SPAARGAREN (Wageningen Universty/Holanda), com a proposta de ampliar a escuta e debater o consumo de maneira séria. Como se deve.

Flávia Galindo é doutoranda em Ciências Sociais, Profa. de Marketing na UFRRJ, e pesquisa o consumo no grupo Estudos do Consumo.

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