O Lago Igapó: Belezas e Mazelas.

O Lago Igapó, que é considerado pelos londrinenses um espaço natural de lazer e para práticas esportivas, tem refletido cada vez mais a falta de planejamento urbano em conjunto com falta de conscientização da população, além de outros diversos fatores, cuja soma desses elementos causa o assoreamento do lago.

Apesar de ser considerado o cartão postal da cidade, encontra-se com uma série de impactos ambientais negativos que atingem a biodiversidade lacustre (referente ao lago) e a qualidade de vida da população. O seu processo de assoreamento não é recente e está longe de ter uma solução adequada.

FIGURA 1. Lago Igapó (2). Fonte: Lorenzo, 2011.

Divididos em quatro partes – Igapó 1, 2, 3 e 4 – atualmente, os que apresentam os estágios mais avançados de assoreamento são o 3 e o 4, localizados no Jardim Presidente e Universitário e Jardim Hedy e Jardim Tókio, respectivamente (Figuras 1 e 2). Nestes casos, o assoreamento já chega a formar algumas ilhas de vegetação (Figura 3) e a lâmina d’água está tão rasa, que o leito do lago é visual. Em épocas de forte estiagem, já é possível caminhar sobre seu leito.

FIGURA 2. Localização dos lagos Igapó 1, 2, 3 e 4 no município de Londrina. Imagem de Digital Globe de 27 Julho 2006. Fonte:Google Earth, 2006.

FIGURA 3. Lago Igapó 3, com formação de “ilhas” resultantes do assoreamento. Fonte: Lorenzo, 2011.

A raiz desse processo encontra-se na falta de conscientização da população que descarta resíduos nas ruas, na falta de fiscalização de terrenos baldios e materiais de construção que em sua maioria encontram-se sem muretas de proteção além da pequena concentração de mata ciliar em suas margens. Vale lembrar que o assoreamento está associado também a processos erosivos, que em núcleos urbanos, encontram-se, principalmente, em terrenos baldios, sendo que se possuírem solos expostos tornam-se susceptíveis a erosão (Figura 4). As partículas soltas dos terrenos baldios com solo exposto em processo erosivo e os resíduos encontrados das ruas são transportados pelas águas das chuvas e através das galerias pluviais chegam até o lago, cuja de deposição de resíduos resulta no assoreamento.

FIGURA 4 Terreno do Ecomercado Palhano na Rua Bento Munhoz da Rocha com solo exposto à erosão durante evento chuvoso dia 15/10/2011 e que contribui para o assoreamento do lago Igapó. Fonte: Lorenzo, 2011.

A alta concentração de pavimentação em conjunto com a escassez de mata ciliar em todo o entorno do lago Igapó faz com que aumente o escoamento superficial das águas pluviais, diminuindo sua infiltração no solo e assim, diminui o armazenamento no lençol freático. Desta maneira, reduz-se o volume de água disponível no subsolo e acarreta-se enchentes durante chuvas intensas, como os londrinenses puderam notar no sábado, 15 de outubro de 2011.

Um dos pontos mais conhecidos do lago Igapó – ponte sobre a Av. Higienópolis – ficou irreconhecível com o volume de água (Figura 5).

O grande volume de chuvas fez com que o canal que conduzia as águas do Igapó 3 para o 2 transbordasse para o aterro do lago (seta vermelha) e alcançasse a rua Joaquim de Matos Barreto, causando apreensão e prejuízos à população local (Figuras 6 e 7).

FIGURA 5. Escada hidráulica no Igapó 2 (Ponte do lago com a Av. Higienópolis) submersa pelo grande volume de chuvas dia 15/10/2011. Cor avermelhada indica sólidos em suspensão. Fonte: Lorenzo, 2011.

FIGURA 6 Enchente do Lago Igapó 2. Seta azul indica o caminho normal do ribeirão Cambé entre o Igapó 2 e o 3. A seta vermelha indica o desvio da drenagem alagando o aterro (mancha amarela) e a Rua Joaquim de Matos Barreto. Fonte: Google 2011.

FIGURA 7. Rua Joaquim de Matos Barreto inundada durante evento chuvoso dia 15/10/2011. Fonte: Lorenzo, 2011.

Recuperar o lago Igapó, incluindo o seu desassoreamento, requer muitos esforços dos poderes público e privado, além, claro, da população. Será necessária a implantação de um conjunto de medidas mitigatórias (que amenizem a situação) não só no lago Igapó, mas em todo o ribeirão Cambé e em seus afluentes – ou seja, Gestão de Bacia- que influenciam no processo de assoreamento do Lago Igapó.

Serão necessárias ações para prevenir os processos erosivos nas margens, estabelecendo ou mantendo a cobertura vegetal do solo, ou seja, implantar e recuperar a mata ciliar. Também é preciso introduzir obras hidráulicas que diminuam a velocidade das correntes, como escadas e obstáculos transversais ao longo do talvegue.

Além disso, é preciso construir reservatórios ao longo da drenagem, que possam represar a água, e que não só diminuam sua velocidade e volume, mas também passem a se constituir em locais de deposição de sedimentos, evitando que cheguem ao local que se pretende proteger.

Outro fator importante que contribuirá para o desassoreamento é a conscientização e a sensibilização da população. Se todos ficarmos cientes das origens e das consequências do assoreamento, tentaremos (caso sensibilizados) prevenir o processo fazendo cada um a sua parte.

Por Cleuber M. Brito (Geólogo, Mestre em Geofísica, Professor
pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), proprietário
da CMB Consultoria.
) e Mariana Lorenzo (Consultora em Meio
Ambiente e Gestão Ambiental
).

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

0 Comments

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*