Monitoramento Ambiental Ecovillas do Lago – Fevereiro/2009

Este documento apresenta os resultados do Monitoramento Ambiental do empreendimento Ecovillas do Lago em Sertanópolis/Paraná, correspondente ao mês de Fevereiro/2009, fazendo parte da implantação do PBA, aprovado no licenciamento ambiental do Instituto Ambiental do Paraná/IAP.

Serão reportadas as ações dos seguintes programas:

(1) Monitoramento das Águas Superficiais, apresentando o resultado das análises e gráficos comparativos dos resultados das amostras coletadas em dezembro/08;
(2) Monitoramento meteorológico;
(3) Andamento das obras;
(4) Controle de erosão e
(5) Programa de Áreas Verdes.

Formação do Lago

Para melhor visualização da formação do lago a Figura 1.1 apresenta a comparação entre as imagens de satélite do Google Earth do início da formação do lago (15/05/2006) e a imagem próxima a finalização do enchimento do lago, isto considerando a data da imagem em 25/05/2008 – última atualização do Google Eath. As fotos retiradas no local em 19/08/2006 também auxiliam na evolução do lago até a presente data – 16/02/2009 onde o lago encontra-se com 660.000 mil metros quadrados de lâmina d’água, sustentados por uma barragem de quase 380 m de extensão.

[singlepic=227] FIGURA 1.1. Comparativo das Imagens de satélite e as fotos do local apresentando a formação do lago do empreendimento Ecovillas do Lago. Fonte: Imagem Google Earth – datas das imagens 15/05/2006 e 25/05/2008.

Resultados dos Programas Ambientais em Andamento

Qualidade e Monitoramento da Água

O monitoramento dos recursos hídricos abrange os seguintes estudos:

  • (a) águas superficiais;
  • (b) águas subterrâneas.

Monitoramento das Águas Superficiais

O monitoramento da qualidade das águas superficiais é realizado através de análises bimestrais de alguns parâmetros físicos, químicos e microbiológicos, utilizados como indicadores, visando verificar o comportamento da implantação do lago do empreendimento, a qualidade das suas águas e possíveis impactos ambientais na microbacia hidrográfica a montante e a jusante do ribeirão Couro de Boi e seus afluentes (Sul, Sudeste, SPA e Marina) – e também no Lago Norte, Central, Sul e Lago de Pesca/Vila do Pescador. (Anexo – Mapa de localização dos pontos de Coleta/Ilustrado).

A última campanha de amostragens dos pontos de coleta foi realizada em 16/12/2008. A amostragem foi realizada em frascos apropriados, seguindo as orientações de preservação das amostras e encaminhada para o Laboratório responsável Analytical Solutions S/A de São Paulo/SP (Anexos – Resultados das Análises).

Desde o início do monitoramento da qualidade das águas superficiais em 27/06/2007 foram realizadas análises completas conforme Resolução CONAMA nº 357/2005, visando verificar possíveis lançamentos de efluentes na microbacia hidrográfica a montante e a jusante do ribeirão Couro de Boi e seus afluentes (Sul, Sudeste, SPA e Marina).

As Tabelas A, B, C, D, E e F (Anexo) apresentam o estudo comparativo dos parâmetros analisados para cada ponto de coleta, demonstrando a evolução do monitoramento ao longo destes meses.

Os Valores de Referência (V.R.) utilizados para o monitoramento das águas superficiais do Ecovillas do Lago foram os definidos pelo CONAMA através da Resolução 357/2005, artigo 15 (Águas doces – Classe II) e Índice de Qualidade de Água (IQA) – CETESB/IAP.

Os parâmetros analisados ao longo destes meses e que estão sendo comparados neste relatório para o empreendimento Ecovillas do Lago encontram-se apresentados na Tabela 2.1.

A evolução dos parâmetros analíticos realizados no monitoramento das águas superficiais dos pontos de coleta a montante e a jusante do Couro-de-boi e seus afluentes (Sul, Sudeste, SPA e Marina) serão apresentados através de 7 gráficos específicos para cada parâmetro conforme Tabela 2.2.

Os pontos nos gráficos indicados em vermelho são os parâmetros e os pontos de coleta do Ecovillas do Lago que ao longo do monitoramento tiveram problemas operacionais tais como: estiagem, conservação de amostras entre outros.

Nesta amostragem realizada em 16/12/2008 não foram coletadas amostras de água nos pontos denominados Afluente Sudeste (AFSE) e Afluente Marina (AFMAR) por apresentarem-se secos.

pH
Os valores de pH dos pontos de coleta do Ecovillas do Lago (Figura 2.1) mantiveram seus resultados oscilando entre de 6,56 a 8,1, caracterizando portanto a ocorrência de águas tipicamente alcalinas, como aliás é comum para os ambientes aquáticos naturais.

Não se observa qualquer influência sazonal na evolução dos teores de pH, podendo-se antever que os mesmos devam se manter futuramente nesta faixa de 6,5 a 8,5.

O parâmetro pH apresenta valores de referência determinados entre 6 e 9.

Fosfato total
As concentrações de fosfato total nos pontos de coleta do Ecovillas do Lago situaram-se na faixa de < 0,01 mg/L a 0,29 mg/L. Abstraindo-se deste último valor, tem-se mantido uma suave tendência temporal decrescente para as concentrações de fosfato (Figura 2.1). Os teores registrados, tem mantido o limite estabelecido (0,05 mg/L).

Oxigênio dissolvido (OD)
As concentrações de oxigênio dissolvido encontradas até o momento nos pontos de coleta do Ecovillas do Lago são, em geral, satisfatórias, com valores que indicam percentuais de saturação, mas que, no entanto precisam ser acompanhadas. Na Figura 2.1 estão registrados os valores obtidos nos pontos de coleta.

No aspecto global, os teores de oxigênio dissolvido variaram de 2,2 mg/L a 8,9 mg/L, as concentrações registradas mais elevadas é onde ocorre a atividade fotossintética das algas, com consequente liberação de oxigênio (Figura 2.1).

Para o parâmetro oxigênio dissolvido (OD) os valores de referência é no mínimo 5,0 mg/L.

Demanda bioquímica de oxigênio (DBO)
Os pontos de coleta do Ecovillas do Lago, com relação ao parâmetro DBO variaram de < 0,1 mg/L (diversas coletas) a 39 mg/L (Figura 2.1). Todos os teores obtidos situam-se, portanto abaixo do valor de referência – 5,0 mg/L. À exceção do valores de Agosto/2007, cuja magnitude deve ter sido influenciada pelo período chuvoso. São eles: MCB1, JCB1, AFS1, AFSE1, ASPA1 e AFMAR1 e AFSPA7.

[singlepic=228][singlepic=229][singlepic=230][singlepic=231] FIGURA 2.1. Gráficos comparativos dos parâmetros pH, fósforo total, oxigênio dissolvido e DBO nas campanhas de amostragens realizadas deste o início do monitoramento nos pontos de coleta: Montante Couro de Boi (MCB); Jusante Couro de Boi (JCB); e os afluentes: Sul, Sudeste, SPA e Marina.

Turbidez
Os valores de Turbidez para os pontos de coleta do Ecovillas do Lago variaram de 0,66 UNT a 151 UNT, conforme pode ser observado na Figura 2.2. A média dos teores de turbidez nas amostragens de superfície foi de 21 unidades, o que indica que não tem interferência direta na turbidez do lago. Todos os resultados obtidos situam-se abaixo do valor de referência – 100 UNT, com exceção do ponto AFS/Fevereiro 2008.

Sólidos Totais em Suspensão
A variável física – sólidos totais em suspensão – apresentou neste período variação nos valores analíticos com mínima de < 1,0 mg/L e máxima de 130 mg/L. Todos os pontos de coleta encontram-se de acordo com os valores de referência que indicam 500 mg/L, com execeção do AFS/Dezembro 2007.

Microbiologia
Os resultados obtidos nos pontos de coleta de Ecovillas do Lago apontam para a presença constante de contaminação fecal com 41 % dos resultados superiores a 200 NMP/100 mL – NMP (Número mais provável/100 mL). O valor máximo encontrado foi de >16.000 em MCB/Junho 2008. Este valor máximo encontra-se acima dos valores de referência definidos através da Resolução CONAMA 357/2005 que indica 200 NMP/100 mL (Figura 2.2).

Dentre os parâmetros analisados os resultados de pH, fósforo total, turbidez, sólidos totais em suspensão constantes dos Padrões de Qualidade para Corpos d’Água (Resolução CONAMA 357/05), situam-se abaixo dos limites fixados para a Classe 2.
Os parâmetros que não estão em conformidade plena com a referida legislação são o oxigênio dissolvido, DBO e no aspecto hidrobiológico, Escherichia coli. Esta variação nos valores apresentados para estes parâmetros demonstra a forte instabilidade do ambiente em formação.

Outra constatação freqüente é a presença de criação de animais (cavalos, gado, carneiros, entre outros) às margens deste ribeirão e alguns afluentes. Este manejo realizado de forma inadequada possibilita que as fezes destes animais sejam arrastadas para o lago através da elevação do nível da água ou mesmo através de chuvas originando tal alteração do parâmetro microbiológico.

[singlepic=232][singlepic=233][singlepic=234] FIGURA 2.2. Gráficos comparativos dos parâmetros turbidez, sólidos totais em suspensão e Escherichia coli nas campanhas de amostragens realizadas deste o início do monitoramento nos pontos de coleta: Montante Couro de Boi (MCB); Jusante Couro de Boi (JCB); e os afluentes: Sul, Sudeste, SPA e Marina.

Monitoramento Meteorológico

Estão reportados neste relatório os dados obtidos pela estação meteorológica de fevereiro/2009, período deste relatório e estão sintetizadas no ANEXO – Sumário Climatológico – Fevereiro/2009.

A Figura 2.3 (a) apresenta o local onde encontra-se instalada a estação meteorológica no empreendimento Ecovillas do Lago e (b) em detalhe a estação meteorológica.

Em fevereiro a temperatura média foi de 24,7 oC sendo a temperatura máxima de 34,2 oC e a temperatura mínima 17,3 oC. Quanto a pluviosidade, o acumulado foi de 130,4 mm e os ventos sopraram com direção predominante W-NW (Oeste-Noroeste), com velocidade média de 2,2 m/s.

[singlepic=235] FIGURA 2.3. Vista geral (a) e detalhe (b) da instalação da estação meteorológica do empreendimento Ecovillas do Lago.

Andamento das obras

Conforme cronograma, várias obras estão em fase final de conclusão e muitas iniciadas.

Na Figura 2.4 podem ser vistas algumas obras em andamento – (a) Vista geral da Av. Atlântica; (b) e (c) Colocação do pavimento intertravado – paver – nas vias; e implantação/evolução do arruamento do empreendimento.

Na Figura 2.5 encontram-se as imagens referente à instalação dos postos de energia elétrica próxima a Praça da Águas (a); Obras em andamento do Iate Clube (b) e (c) Vila Esportiva.

Na Figura 2.6 evolução das obras da Marina (a); Vila Hípica (b) e (c) finalização da Portaria.

Estão previstas para os próximos meses o término das obras da Marina; o início da liberação dos pavers; arruamento e galerias.

Em andamento, a Vila Esportiva; Vila Hípica; Templo Ecumênico; Vila da Criança.

[singlepic=236] FIGURA 2.4. (a) Vista geral da Av. Atlântica; (b) e (c) Colocação do pavimento intertravado – paver – nas vias.

[singlepic=237] FIGURA 2.5. Instalação dos postos de energia elétrica próxima a Praça da Águas (a); Obras em andamento do Iate Clube (b) e (c) Vila Esportiva.

[singlepic=238] FIGURA 2.6. Evolução das obras da Marina (a); Vila Hípica (b) e (c) finalização da Portaria.

Controle de Erosão

Os meses de verão do presente ano de 2009 foram marcados por grande aporte de chuvas, que pela experiência anterior da obra no empreendimento, trouxe repercussões significativas nos processos erosivos devido ao grande volume de água circulando no terreno.

Os pontos críticos de processos erosivos identificados anteriormente se mantiveram como áreas sensíveis dos referidos processos e sempre foram encarados como bastante preocupação e cuidados geotécnicos. Nelas foram implantadas as obras de contenção e atualmente encontram-se estabilizadas, principalmente pela menor movimentação de solos e também pelo crescimento das proteções de grama plantadas e ultimamente, pelo plantio das árvores do programa de áreas verdes.

Há nos taludes das barragens principal e secundária o plantio de grama consolidado, como pode ser visto na Figura 2.7.

A área mais crítica observada a respeito de processos erosivos e por consequência, por potencial de risco de assoreamento do lago, é o talvegue próximo a Marina, motivo no qual estão sendo tomadas medidas de correção e melhorias de controle erosivo, reportados no próximo relatório.

Programa de Áreas Verdes

Neste programa, após o plantio das mudas de espécies nativas nas áreas identificadas pelo programa, há o acompanhamento do seu desenvolvimento e uma avaliação de crescimento e da necessidade de reposição ou replantio, caso as mudas tem desenvolvimento insatisfatório ou mesmo para aquelas que morreram.

O que se observa é que os gramados têm desenvolvimento dentro do previsto. Tanto nas áreas íngremes (mirante), quanto nos taludes das barragens, quando nas calçadas, os resultados são considerados satisfatórios. Somente em locais pontuais, a exemplo de um pequeno ponto do talude do lago de pesca esportiva, algumas placas cederam e já foram imediatamente repostas.

Nas porções Sudeste e Leste da área, entre a base do mirante e a portaria do empreendimento, as mudas arbóreas apresentam desenvolvimento dentro do previsto e as mudas já alcançam alturas de 1,5 -1,8 m – Figuras 2.8 e 2.9.

Nos trechos de maior incidência de águas infiltrantes de chuvas – talvegues – há um desenvolvimento menor das mudas plantadas, possivelmente relacionado a forte lixiviação do solo – Figura 2.8 c.

Nestes casos, está sendo avaliadas medidas de melhoria do plantio, podendo ser revisto a escolha das espécies utilizadas e deverá passar por um processo de replantio.

Vale ressaltar, que com a implantação do piso intertravado (paver) e o plantio de grama, acompanhando todas sua extensão, há um grande volume de água de chuva que deixa de escorrer, diminuindo seus efeitos erosivos (Figura 2.7 c).

[singlepic=239] FIGURA 2.7. Medidas de controle erosivo, com implantação de cobertura grama no solo; e área de infiltração junto ao piso intertravado (paver).

[singlepic=240] FIGURA 2.8. Taludes da barragem gramadas. Mudas plantadas de espécies arbóreas em desenvolvimento – (a) porção leste e (c) porção sudeste

[singlepic=241] FIGURA 2.9. Mudas arbóreas em desenvolvimento junto com arbustivas próximas a cerca perimetral do empreendimento.

Considerações Finais

O presente relatório apresentou o andamento dos programas ambientais implantados no Ecovillas do Lago referentes ao mês de Fevereiro/2009. Nele se destacam:

  1. Os resultados das análises das águas superficiais do empreendimento;
  2. Resultados do Monitoramento Meteorológico;
  3. Andamento das obras;
  4. Programa de Controle Erosivo;
  5. Desenvolvimento das espécies plantadas conforme programação do Programa de Áreas Verdes;

Para março/2009 estão previstos como destaques maiores no relatório técnico, os seguintes relatos:

  1. Os resultados das análises das águas superficiais do empreendimento, principalmente dos lagos;
  2. Dados Meteorológicos;
  3. Resumo dos programas ainda não implantados;
  4. Medidas de controle erosivo;
  5. Uso e ocupação da bacia;
  6. Dados de eutrofização do lago;
  7. Resultados análises de água – coleta fevereiro/09 – realizada em março;
  8. Campanha de monitoramento da mastofauna e avifauna.