O papel das aves nos ecossistemas

As aves desempenham importantes funções nos ecossistemas e contribuem ativamente para o equilíbrio ambiental. Elas interagem com a vegetação, nos processos de polinização e dispersão de inúmeras plantas. Muitas espécies de aves se alimentam de invertebrados, neste sentido, atuam controlando populações de insetos e outros pequenos animais, que poderiam tornar-se muito abundantes e de alguma forma desequilibrar o ambiente. Além disso, sua presença torna o ambiente mais agradável para o ser humano, pois tanto adultos quanto crianças geralmente consideram prazeroso, e sente-se bem ao observar as aves, principalmente devido a grande variedade de cores que estas possuem e aos sons que produzem, que agradam olhos e ouvidos.

De uma forma geral as regiões do EVL e áreas adjacentes mais ricas em aves são aquelas mais próximas aos cursos d’água, e os trechos com vegetação mais estruturada e/ou densa. A criação e manutenção de determinados habitats é fundamental para a conservação da avifauna. O reflorestamento do entorno do lago e de outros locais dentro do EVL deve ser realizado o quanto antes. Recomendamos enfaticamente a utilização do maior número possível de espécies vegetais nativas, e zoocóricas, ou seja, plantas que fornecem frutos comestíveis para a fauna. Esta medida pode favorecer, não só a avifauna como também outros animais; este fato deve ser levado em consideração quando for realizado o reflorestamento previsto.

Outro fator, a ser levado em consideração para a conservação da avifauna do EVL é a necessidade de conectividade com os habitats adjacentes, especialmente com os habitats aquáticos e florestais. Esta conectividade pode ser conseguida, utilizando a mata riparia dos ribeirões como corredores florestal. A conectividade entre as áreas é importante para a dispersão de espécies, de aves, principalmente aquelas com dificuldade ou mesmo incapazes de cruzar áreas abertas, favorecendo a diversidade de espécies, assim bem como a variabilidade genética e a manutenção das populações em longo prazo.

Como discutido acima as aves que freqüentam o habitat aquático utilizam nichos distintos e sua conservação no lago do EVL esta fortemente associada a manutenção destes nichos. Quando o lago estiver totalmente cheio, este deverá apresentar um grande espelho d’água, mas é esperado que haja uma redução no número de nichos a serem explorados pelas aves, principalmente quanto à ocorrência de vegetação aquática, regiões litorâneas rasas e praias. Somado a isto, suas margens, em relação a vegetação arbórea, deveram ficar relativamente mais simplificadas em termos estruturais, por questões principalmente estéticas.

Uma única medida, bem direcionada, pode auxiliar tanto no aumento da conectividade entre o EVL e o fragmento florestal mais próximo a ele como também aumentar a disponibilidade de nichos pra as aves relacionadas ao habitat aquático. Recomendamos veementemente a criação de um refugio para a vida selvagem dentro do EVL. O local que reúne as melhores características para a implementação deste refugio é o ponto onde o córrego do Spa desemboca no lago do EVL. Este local é o mais próximo entre o remanescente florestal e o EVL, e a conexão será feita pela mata ciliar do ribeirão contínua (deverá ser cortada pela rua perimetral) com a vegetação do entorno do lago do EVL, otimizando a conectividade com os habitats florestais e aquáticos.

Com relação ao habitat aquático propriamente dito, neste local o lago do EVL forma um braço, onde antes corria o ribeirão do Spa. Uma área com extensão de dezenas de metros, ou mais (em caso da implementação deste refugio esta distância deverá ser melhor estipulada) pode ser reservada neste local, para que nela se permita o desenvolvimento de vegetação aquática, flutuantes e enraizadas. Nesta região do refugio, as margens devem ser manejadas de forma que não sejam tão inclinadas, propiciando a formação de locais rasos, próximo as margens e mesmo pequenas praias.

Ao longo deste refugio, recomendamos também que a vegetação a ser implantada nas margens seja mais adensada do que nas outras regiões do entorno do lago, incluindo vegetação baixa. Isto resultará em uma estrutura mais complexa da vegetação e na oferta de mais nichos, o que tenderá a abrigar mais espécies de aves. Ressaltamos que este adensamento da vegetação não implicará em prejuízo estético para o EVL, não encobrindo a visão de nenhum ponto considerável. Somado a isto, o local apresenta uma inclinação muito acentuada no terreno, e não deverá ser utilizada para outros fins.

É importante mencionar que a criação deste refúgio da vida selvagem não beneficiará apenas a avifauna. A fauna em geral deverá ser favorecida com e criação e manutenção deste refugio, especialmente a ictiofauna, pois está contará também com um considerável aumento no número de nichos a serem explorados, além de abrigos contra predadores e locais de reprodução para algumas espécies.

Entendemos que a criação e a manutenção do refúgio da vida selvagem aqui proposto terão um determinado custo. Contudo, isto irá evidenciar ainda mais o comprometimento ambiental dos idealizadores e executores do EVL, que já o demonstraram, através da pioneira iniciativa da realização do monitoramento da fauna. Isto, com certeza, têm grande peso na relação custo beneficio, e poderá ser explorado também comercialmente.

O grupo aves é relativamente bem estudado e deve ser usado como uma ferramenta na proposição de medidas de conservação. Com a realização do diagnóstico da avifauna do EVL e áreas adjacentes, nós obtivemos um “retrato” das comunidades de aves que ocorrem na área, contudo, as comunidades de aves não são estáticas, pelo contrário, são extremamente dinâmicas ao longo do tempo. Estes dados irão servir de referência em estudos futuros.

Só com a realização de um monitoramento é possível compreender como as comunidades de aves se comportam ao longo do tempo; quais espécies se estabelecem, quais são extintas, quais são novos colonizadores etc. Os sensos de aves periódicos previstos para o monitoramento da fauna do EVL podem auxiliar na indicação da qualidade do ambiente, auxiliando na compreensão da dinâmica da fauna, que é o primeiro passo, para qualquer medida que vise à conservação das espécies.

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